Entrevista com Wayner Machado
Indústria do Couro e Calçados
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A cadeia produtiva de couro e calçados teve um bom desempenho em 2005, principalmente pelo comportamento das exportações. No setor de curtimento, as vendas ao exterior cresceram 7,5% ao mês até outubro, resultado que se aproxima da meta estabelecida para o ano, de aumento de 10%. E o setor de calçados registrou resultado semelhante, apesar da queda de 10% no volume de pares exportados, compensada pelo aumento do faturamento em dólar. Segundo Wayner Machado, coodernador do Comitê da Cadeia Produtiva de Couro e Calçados da Fiesp (Comcouro), o destaque nas exportações desse item foi a substituição de produtos de baixo valor agregado, como o wet-bue, pelos semi-acabados e acabados. "Assim, o objetivo da cadeia, de estimular as exportações deses bens, foi plenamente alcançada", comemora Machado. |
| As vendas externas de calçados, sobretudo os de maior valor agregado, também melhorando em 2005, o que explica o aumento do faturamento do setor em dólar, pois o volume de vendas externas caiu por causa da desvalorização cambial, que deixou as empresas menos competitivas no mercado internacional. O faturamento de janeiro a outubro, em dólares, ficou 5% acima do contabilizado no mesmo período de 2004. Além dos bons resultados nas exportações, os produtores de couro e calçados tiveram outros motivos para comemorar. Como, por exemplo, a criação da Escola de Calçados do Senai, no prédio da Escola de Têxtil, no bairoo do Brás. "Esse projeto é da maior importância para os calçadistas da cidade de São Paulo, pois deve resgatar a indústria, que nos últimos tempos perdeu toda a expressão que tinha nos anos 1970 e 1980", diz Machado. Outra vitória, lembra ele, foi a aprovaçãodo projeto do Centro de Design, em Franca, que atenderá a uma necessidade básica da indústria - a de desenvolver design próprio para o calçado brasileiro. Em contrapartida, o setor também enfrentou alguns problemas em 2005. Dois dos principais foram a restrição imposta pela Argentina à entrada de calçados brasileiros e a eclosão da febre aftosa no Mato Grosso do Sul. Assim, uma das metas para 2006 é eliminar as restrições argentinas. "Também vamos lutar para conter a entrada de produtos de origem chinesa, que desorganizam o mercado interno", afirma Machado. "Também queremos a liberação dos créditos de ICMS das empresas, bloqueadas pelo governo do estado, além de propor ações e estudos que contribuam para a mudança ou queda da carga tributária e das taxas de juros", concluiu. |